Cólica do Bebê: o Que Realmente Funcionou Comigo
Se você está lendo isso balançando um bebê que chora há horas, sentada na cama às 3 da manhã sem saber mais o que fazer — eu já estive exatamente aí. Duas vezes, com dois filhos completamente diferentes.
Com a minha primeira filha, a cólica foi um dos períodos mais difíceis da minha maternidade. Com o meu filho, três meses atrás, foi outra história. E é justamente essa diferença que quero te contar aqui: o que eu tentei, o que não funcionou, o que ajudou de verdade e o que eu faria diferente hoje.
Aviso importante: este post traz um relato pessoal e não substitui uma avaliação médica. Cólica pode ter causas diferentes em cada bebê, e só o pediatra do seu filho pode dizer o que é mais indicado para o caso dele. Se o choro vier acompanhado de febre, vômitos, sangue nas fezes, recusa em mamar ou muita moleza, procure atendimento médico imediatamente.
O que é (e o que não é) cólica do bebê
Antes de contar minha experiência, vale entender o que os pediatras chamam de cólica do lactente. Hoje, ela é descrita como episódios recorrentes e prolongados de choro, agitação ou irritabilidade, sem uma causa evidente, em um bebê que aparenta estar saudável e cresce normalmente. A antiga “regra dos três” ainda é conhecida, mas não precisa ser seguida rigidamente para que o bebê seja avaliado.
Um ponto que me tranquilizou bastante, e que eu não sabia com minha primeira filha: bebê chora por muitos motivos — fome, frio, calor, fralda suja, sono e necessidade de colo ou algum problema de saúde — e nem todo choro é cólica. O diagnóstico é feito depois que outras causas são avaliadas. Muitos episódios acontecem no fim da tarde ou à noite, mas encolher as perninhas ou endurecer a barriga, isoladamente, não confirma cólica.

Minha primeira filha: as noites que pareciam não ter fim
Com ela, eu tentei praticamente tudo que existia na prateleira da farmácia. Gotas à base de simeticona (tipo Colid), chás e mudanças na minha dieta como mãe que amamentava — nada resolvia de verdade. E não foi falta de tentativa: eu segui bula, horário e dose certinha. Hoje, não ofereceria chás, gotas ou probióticos nem faria uma dieta restritiva durante a amamentação sem conversar antes com o pediatra ou outro profissional de saúde.
Hoje, revisando o assunto para escrever este post, entendi por que aquilo não funcionou como eu esperava: estudos comparando simeticona com placebo não mostraram diferença relevante na redução do tempo de choro. Ou seja, não era eu fazendo algo errado — é que esse tipo de gota, isoladamente, não tem respaldo científico forte como solução para cólica. Isso me deu um alívio enorme quando descobri, porque por muito tempo eu me senti culpada, como se estivesse fazendo alguma coisa errada.
O que realmente aliviava minha filha, mesmo que por pouco tempo, era colo e movimento. Eu andava de um lado para o outro do quarto, embalando, cantando baixinho. E teve uma posição que eu descobri quase por acidente e que se tornou nosso “porto seguro” em muitas madrugadas: eu sentava na cama, encostava a coluna na cabeceira, e a deixava sentada, apoiada no meu joelho, quase de frente para mim. Não sei explicar exatamente por que aquilo aliviava mais que outras posições — talvez a pressão na barriguinha, talvez o contato visual comigo — mas foi a posição que ela chorava menos.
Muitas noites eu acabava dormindo ali mesmo, sentada, com ela apoiada daquele jeito. Cansativo? Extremamente. Conto isso porque aconteceu comigo, mas hoje sei que não era uma situação segura e não deve ser reproduzida. Quando o adulto adormece com o bebê no colo, na cama, no sofá ou em uma poltrona, existe risco de queda, sufocação e aprisionamento. Cada mãe faz o que consegue com as ferramentas e a informação que tem, mas essa informação teria mudado minhas escolhas.
Meu filho: uma cólica mais tranquila (e o que eu fiz diferente)
Da segunda vez, eu não comprei remédio nenhum. Em parte porque já sabia, pela experiência anterior, que aquilo provavelmente não resolveria; em parte porque meu filho, desde o início, chorou visivelmente menos que a irmã por cólica.
Uma coisa que percebi rapidamente foi que colocá-lo de bruços, acordado e sob supervisão, durante o dia, parecia acalmá-lo. O famoso “tempo de barriguinha” (tummy time) é recomendado para o desenvolvimento motor, mas deve ser feito somente com o bebê acordado e com um adulto observando o tempo todo. No caso do Felipe, eu percebia alívio, mas isso foi uma experiência individual e não significa que a posição trate cólica ou gases. Se o bebê adormecer, deve ser colocado de barriga para cima em um local seguro para dormir.

Sobre dormir de bruços: o que eu preciso ser honesta com você
Aqui está a parte do meu relato que eu quero tratar com todo o cuidado, porque sei que muitas mães vão ler este post buscando exatamente isso: uma forma de sobreviver às madrugadas.
À noite, nos primeiros meses, em alguns momentos meu filho dormiu de bruços sobre mim — no colo ou apoiado no meu peito — e eu também acabei adormecendo sentada ou reclinada. Eu fiz isso por exaustão, mas hoje sei que não é seguro. Dormir com o bebê sobre o corpo, mesmo que o adulto esteja sentado ou reclinado, não deve ser usado como solução para a cólica.
A Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), a Academia Americana de Pediatria (AAP) e outras autoridades de saúde recomendam que bebês sejam colocados de barriga para cima em todos os sonos, inclusive nas sonecas. O local deve ser próprio para o bebê, com superfície firme, plana e sem inclinação, coberta apenas por um lençol bem ajustado. Travesseiros, mantas soltas, protetores, bichos de pelúcia e outros objetos devem ficar fora do espaço de sono. Dormir de bruços ou de lado aumenta o risco de sufocação e de morte relacionada ao sono.
Eu não estou aqui para fingir que nunca fiz isso, porque seria desonesto com você. Mas preciso dizer claramente: essa prática não é segura e não deve ser reproduzida. Se eu perceber que estou com sono enquanto seguro o bebê, a escolha mais segura é colocá-lo de barriga para cima no berço ou em outro espaço próprio para o sono.
O que eu aprendi, e que talvez ajude mais do que reproduzir exatamente o que eu fiz, são alternativas que dão um alívio parecido com menos risco:
- Enrolar o bebê em uma manta leve pode acalmar alguns bebês. Ele deve ser colocado somente de barriga para cima, sem apertar as pernas ou o quadril, e a prática deve ser interrompida assim que começar a tentar rolar. Não use mantas ou produtos com peso.
- Ruído branco ou som suave pode ajudar a acalmar. Mantenha o aparelho distante do berço e use volume baixo, sem deixar o som muito alto perto do ouvido do bebê.
- Colo e balanço enquanto acordada, e devolver o bebê de barriga para cima assim que ele adormecer, no berço ao lado da cama (quarto compartilhado, cama separada é o que a SBP recomenda nos primeiros 6 meses).
- Sling ou canguru durante o dia, apenas com o cuidador acordado e atento. O rosto do bebê precisa ficar visível, com nariz e boca livres e o queixo afastado do peito. Se o bebê adormecer, transfira-o para um espaço seguro assim que possível.
- Revezar com o parceiro ou alguém de confiança algumas madrugadas, porque muita coisa que parece “a única solução” às 3h de uma noite exausta é, na verdade, sinal de que você precisa de mais apoio, não de menos cuidado.
Se você, como eu, tem chegado a esse tipo de solução por pura exaustão, isso não te faz uma mãe pior — te faz uma mãe cansada. Mas vale a pena conversar com o pediatra do seu bebê sobre estratégias de sono seguro que caibam na sua realidade, porque existem caminhos com menos risco.
Massagem na barriguinha: o que aprendi e uso até hoje
Uma coisa que incorporei com o meu filho e que virou parte da nossa rotina de acalmar foram movimentos leves e calor moderado. Essas medidas podem trazer conforto, mas não funcionam para todos os bebês e devem ser interrompidas se causarem incômodo:
- Massagem “eu te amo”: com a ponta dos dedos, faço um “I” descendo do lado esquerdo da barriga do bebê, depois um “L” deitado (da direita para a esquerda, na parte de cima da barriga, descendo pelo lado esquerdo) e por fim um “U” invertido, começando embaixo à direita, subindo, cruzando e descendo do lado esquerdo. O nome vem do formato das letras “I LOVE YOU” desenhadas na barriguinha.
- Bicicletinha com as perninhas: flexionar e esticar as pernas delicadamente pode ajudar alguns bebês a relaxar, sem forçar as articulações.
- Banho ou compressa morna: nunca use água ou tecido quente. Teste a temperatura no próprio braço, não deixe a compressa sem supervisão e retire imediatamente se a pele ficar vermelha.

Vale dizer, com honestidade: não existe comprovação robusta de que a massagem resolva a cólica. Ela pode ser uma tentativa suave de conforto e vínculo, desde que o bebê esteja bem e não demonstre dor. Diante de barriga muito inchada ou endurecida, vômitos, febre ou piora do choro, não insista na massagem e procure orientação médica.
Quando procurar o pediatra sem esperar
Alguns sinais não são “só cólica” e merecem avaliação médica rápida:
- Febre, principalmente em bebê com menos de 3 meses
- Vômito verde, com sangue, em jato ou muito frequente
- Sangue nas fezes
- Barriga muito inchada, dura ou dolorida
- Dificuldade para respirar, pele arroxeada ou muito pálida
- Choro muito agudo, diferente do habitual ou que não cessa
- Recusa em mamar, dificuldade para se alimentar ou menos fraldas molhadas
- Sonolência excessiva, dificuldade para acordar ou moleza incomum
- Pouco ganho de peso ou perda de peso
- Choro excessivo que começou depois dos 4 meses
Na dúvida, ligue para o pediatra. Confiar no instinto de mãe não é frescura — uma mudança importante no comportamento do bebê merece atenção.
Quando o choro também esgota quem cuida
Se você perceber que está perdendo o controle, coloque o bebê de barriga para cima no berço, em segurança, afaste-se por alguns minutos e peça ajuda a alguém de confiança. Nunca sacuda, jogue ou bata no bebê. É mais seguro deixá-lo chorar por alguns minutos em um local protegido do que continuar segurando-o no limite da exaustão.
O que eu levo dessa comparação entre meus dois filhos
- Remédio de farmácia (tipo simeticona) não tem comprovação de eficácia — não se culpe se não funcionar com o seu bebê.
- Tempo de barriguinha é indicado para o desenvolvimento motor, mas somente com o bebê acordado e supervisionado; no Felipe, também parecia trazer conforto.
- Dormir de bruços à noite, mesmo no colo, é um risco real que a pediatria desaconselha — existem alternativas mais seguras que entregam um alívio parecido.
- Massagem delicada, banho ou compressa morna podem trazer conforto, mas não tratam a causa e devem ser interrompidos diante de desconforto.
- Cólica tem prazo de validade: na grande maioria dos bebês, melhora sozinha por volta dos 3-4 meses.
- Pedir ajuda (do parceiro, da família, do pediatra) não é fraqueza — é estratégia.
Se você está vivendo os primeiros meses com um bebê, também pode ler meu relato sobre produção de leite materno e início da amamentação. Se ainda está se preparando para essa fase, o post sobre como dar entrada na licença-maternidade pode ajudar na organização. Na categoria Maternidade Real, compartilho outros bastidores da maternidade sem romantização.
Cada bebê é um universo. O que funcionou com a minha filha não funcionou com o meu filho, e vice-versa. Se tem uma coisa que aprendi com os dois é que não existe fórmula mágica — existe tentativa, ajuste, e muita paciência com o processo (e com você mesma).
Conteúdo atualizado em 20 de setembro de 2026.
FONTES CONSULTADAS
- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) — Cólica do lactente
- Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP) — Bebês devem dormir de barriga para cima
- Centers for Disease Control and Prevention (CDC) — Como proporcionar um sono seguro ao bebê
- American Academy of Pediatrics (HealthyChildren.org) — Como acalmar um bebê irritado
- NHS — Cólica em bebês
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