Amamentar Dói? O Que é Normal e Quando Buscar Ajuda

Amamentar Dói? O Que é Normal e Quando Buscar Ajuda

Antes de ser mãe, eu imaginava que amamentar seria algo completamente natural e, por isso, simples. Depois descobri que, embora o corpo esteja preparado para produzir leite, mãe e bebê ainda precisam aprender juntos como fazer a amamentação funcionar.

E sim: nos primeiros dias eu senti um incômodo quando meus filhos pegavam o peito.

Isso aconteceu tanto com a Heloísa quanto com o Felipe. Os dois conseguiram pegar bem o peito, mas, ainda assim, eu sentia uma certa dorzinha durante a mamada, principalmente no momento da pega.

Por isso, quando uma mãe me pergunta se amamentar dói, minha resposta é sincera: eu senti desconforto, mas existe diferença entre uma sensibilidade inicial e uma dor forte que continua durante toda a mamada.

Essa diferença é importante porque a mãe não precisa suportar dor intensa acreditando que isso faz parte da maternidade.

Amamentar dói nos primeiros dias?

O Ministério da Saúde explica que a amamentação não deve ser dolorosa, embora possa existir algum desconforto no começo, enquanto a mãe e o bebê estão se adaptando.

Nos primeiros dias, os mamilos ainda não estão acostumados com a sucção frequente. A mãe também está aprendendo a posicionar o bebê, enquanto ele aprende a abrir bem a boca, abocanhar a aréola e coordenar sucção, deglutição e respiração.

No meu caso, eu sentia uma dorzinha quando o bebê começava a mamar, mas não era uma dor insuportável. Meus mamilos também não chegaram a rachar nem sangrar.

Quando a dor é forte, permanece durante toda a mamada ou provoca medo de oferecer o peito novamente, é importante não tratar isso simplesmente como normal.

Minha experiência amamentando dois filhos

Apesar de ter amamentado duas vezes, as experiências não foram exatamente iguais.

Com a Heloísa, eu tinha bastante leite. Enquanto ela mamava em um peito, o leite chegava a derramar do outro. Eu precisava usar uma fralda de pano para não molhar a roupa.

Ela pegou o peito desde o início e gostava tanto de mamar que, muitas vezes, só dormia no peito. Também mamava mesmo depois de estar satisfeita, provavelmente pelo aconchego e pelo contato físico. Como consequência, ela acabava golfando bastante. Foi uma das experiências que me ensinou que nem todo pedido pelo peito significa necessariamente fome.

Com o Felipe, a situação começou de outra maneira. Ele nasceu com a glicemia baixa e era difícil mantê-lo acordado para mamar. As enfermeiras me orientavam a tirar um pouco da roupa dele para ajudá-lo a despertar e pegar o peito.

Como ele sugava pouco, foi necessário introduzir fórmula junto com as mamadas naquele período. Depois, a amamentação se estabeleceu e ele passou a mamar aproximadamente de três em três horas. Mesmo assim, tive a impressão de produzir menos leite do que na primeira experiência.

Essas duas histórias me mostraram que uma amamentação pode ser bem diferente da outra, mesmo sendo a mesma mãe. Se essa também é uma preocupação sua, compartilhei separadamente os sinais que me ajudaram a perceber que o bebê estava mamando o suficiente.

Mãe posicionando o bebê com apoio de uma almofada de amamentação

A dificuldade com o peito esquerdo

Com meus dois filhos, tive mais dificuldade para oferecer o peito esquerdo.

Eles pegavam bem o peito, mas eu precisava prestar mais atenção à posição e à forma como começavam a mamar. Além disso, percebia que o leite saía com mais força desse lado.

Em alguns momentos, eles começavam a engolir muito rapidamente e quase se engasgavam. Por isso, eu precisava ficar sempre atenta durante a mamada.

Um fluxo muito forte pode fazer o bebê tossir, engolir com pressa, soltar o peito ou parecer engasgado. Isso não significa necessariamente que a mãe tenha leite em excesso, pois outras dificuldades de posição, sucção ou coordenação também podem provocar esses sinais.

Quando isso acontece frequentemente, vale pedir para um profissional observar uma mamada completa. Assim, ele consegue avaliar a pega, o fluxo do leite e a maneira como o bebê está engolindo.

Como saber se a pega está boa?

Mesmo quando a pega parece correta, pequenos ajustes podem deixar a mamada mais confortável. Alguns sinais que costumam acompanhar uma boa pega são:

  • Boca bem aberta;
  • Lábios voltados para fora;
  • Queixo encostado na mama;
  • Maior parte da aréola dentro da boca, especialmente a parte inferior;
  • Barriga do bebê voltada para o corpo da mãe;
  • Cabeça e corpo alinhados;
  • Deglutição visível ou audível;
  • Ausência de estalos frequentes;
  • Mamilo sem sair achatado, dobrado ou machucado depois da mamada.

O bebê não deve ficar preso apenas ao bico do peito. Quando ele abocanha somente o mamilo, aumenta a possibilidade de dor, fissuras e retirada insuficiente de leite.

O Ministério da Saúde e a Sociedade Brasileira de Pediatria destacam que posicionamento e pega adequados são fundamentais para uma mamada confortável e eficiente.

O que me orientaram a fazer depois das mamadas

Ainda na maternidade, recebi a orientação de passar um pouco do próprio leite nos mamilos depois que o bebê terminasse de mamar.

Eu segui essa recomendação com meus dois filhos e meus mamilos não chegaram a rachar. Essa é a minha experiência pessoal e não significa que o leite materno, sozinho, resolva todas as causas de dor.

O próprio Ministério da Saúde menciona a aplicação do leite materno na região do mamilo e da aréola após a mamada. Ainda assim, se houver rachadura, sangramento ou dor persistente, é essencial avaliar a pega e procurar orientação, em vez de apenas continuar passando o leite sobre a região machucada.

Também é melhor evitar pomadas, receitas caseiras ou produtos perfumados sem indicação profissional, pois alguns podem irritar a pele ou precisar ser retirados antes da mamada.

O que pode causar dor ao amamentar?

A pega superficial é uma das causas mais comuns, mas não é a única. A dor também pode estar relacionada a:

  • Posição desconfortável da mãe ou do bebê;
  • Mama muito cheia e aréola endurecida;
  • Fissuras ou ferimentos no mamilo;
  • Freio da língua que dificulta a sucção;
  • Vasoespasmo do mamilo;
  • Dermatites e irritações da pele;
  • Infecções;
  • Ductos inflamados ou mastite;
  • Uso inadequado da bomba de extração;
  • Pressão excessiva exercida pela boca do bebê.

Por isso, nem sempre é possível descobrir a causa apenas olhando para o mamilo. Às vezes, é necessário que um profissional observe como o bebê abre a boca, pega o peito, suga e engole.

O que fazer quando a pega dói

Quando eu percebia alguma dificuldade, prestava atenção à forma como o bebê estava posicionado, especialmente no peito esquerdo. Algumas medidas que podem ajudar são:

  1. Sentar-se de maneira confortável e apoiar os braços e as costas;
  2. Manter a barriga do bebê voltada para o corpo da mãe;
  3. Deixar a cabeça e o corpo do bebê alinhados;
  4. Encostar o nariz do bebê na altura do mamilo;
  5. Esperar que ele abra bem a boca antes de aproximá-lo;
  6. Levar o bebê até o peito, em vez de inclinar o corpo sobre ele;
  7. Interromper cuidadosamente a sucção e tentar novamente se a pega continuar dolorosa.

Para soltar o bebê sem puxar o mamilo, pode-se colocar delicadamente um dedo limpo no canto da boca dele para desfazer o vácuo. Se a dor continuar mesmo após reposicionar o bebê, o melhor é procurar ajuda.

E quando o leite sai muito rápido?

Como acontecia comigo no peito esquerdo, algumas mães percebem que o bebê tosse, engole depressa, solta o peito ou fica irritado logo que o leite começa a sair.

Nessas situações, pode ajudar:

  • Amamentar em uma posição mais reclinada, com o bebê apoiado sobre o corpo da mãe;
  • Manter a cabeça do bebê um pouco mais elevada;
  • Fazer pequenas pausas se ele estiver engolindo rápido demais;
  • Deixá-lo arrotar quando necessário;
  • Retomar a mamada quando ele estiver tranquilo;
  • Procurar orientação se os episódios forem frequentes.

Uma saída forte do leite pode provocar tosse ou dificuldade para acompanhar o fluxo. Entretanto, engasgos repetidos também podem ter outras causas. Por isso, não é recomendável tentar diminuir a produção por conta própria sem avaliação.

Se a sua dúvida está relacionada à quantidade de leite, leia também meu relato sobre como aumentar a produção de leite materno e o que realmente funcionou para mim.

Mãe recebendo orientação profissional sobre amamentação e posição do bebê

Quando a dor deixa de ser um simples desconforto?

Procure ajuda se houver:

  • Dor forte ou que piora com o passar dos dias;
  • Dor durante toda a mamada;
  • Rachaduras, feridas ou sangramento;
  • Mamilo achatado, deformado, branco ou arroxeado depois da mamada;
  • Área da mama vermelha, quente ou muito dolorida;
  • Febre, calafrios ou mal-estar;
  • Bebê que não consegue manter a pega;
  • Bebê muito sonolento e com dificuldade para mamar;
  • Pouco ganho de peso ou redução importante das fraldas molhadas;
  • Tosse ou engasgos frequentes durante as mamadas.

Se o bebê ficar arroxeado, não conseguir respirar, chorar ou tossir, trata-se de uma urgência e é necessário buscar atendimento imediatamente.

O pediatra, um profissional capacitado em amamentação ou um Banco de Leite Humano pode observar a mamada e ajudar a identificar o problema.

Você não precisa suportar a dor em silêncio

Muitas mães escutam que os mamilos precisam “criar resistência” e que basta aguentar as primeiras semanas. Esse tipo de conselho pode atrasar a correção de uma dificuldade simples e transformar um pequeno incômodo em uma lesão.

Minha experiência foi de uma dorzinha inicial, sem rachaduras e sem sangramento. Mesmo assim, precisei ficar atenta à pega, principalmente no peito esquerdo, e ao leite que saía com mais força.

Cada mãe e cada bebê terão uma experiência diferente.

Se você sente apenas uma sensibilidade passageira, ela pode melhorar conforme os dois se adaptam. Mas, se a dor é forte, persiste ou está acompanhada de ferimentos, não precisa esperar piorar para pedir ajuda.

Amamentar pode exigir aprendizado, ajustes e apoio. Isso não significa que você esteja fazendo algo errado — significa apenas que você e seu bebê também estão aprendendo.

Este conteúdo relata uma experiência pessoal e tem finalidade informativa. Ele não substitui a avaliação individual de um profissional de saúde.

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